Wednesday, January 17, 2018

"Me Chame Pelo Seu Nome" ( Call Me By Your Name)



"Me Chame Pelo Seu Nome" ( Call Me By Your Name), do italiano Luca Guadagnino, é baseado no livro de André Aciman e roteiro adaptado pelo cineasta James Ivory (indicado para três Oscar de direção: Uma Janela para o Amor, Retorno a Howards End e Vestígios do Dia), trata da descoberta da sexualidade homossexual de um rapaz de 17 anos e um acadêmico norte-americano de 24.

O jovem Elio (Timothée Chalamet), passa uma temporada de férias ao lado dos pais em Crema, na Itália, em 1983. O pai, vivido por Michael Stuhlbarg (A Forma da Água), um professor de história, convida para o local um antigo aluno, Oliver (Armie Hammer). E ele cativa a todos ao redor com seu charme, beleza e inteligência, provocando ainda mais a curiosidade de Elio, que está se descobrindo sexualmente, inclusive tendo um relacionamento com a jovem Marzia (Esther Garrel).

"Me Chame Pelo Seu Nome" acaba sendo uma bonita história de autoconhecimento e de amor. As cenas são quentes, mas nada de exageradas - e claro que os momentos gays vão incomodar o público mais conservador. O grande destaque acaba sendo o ator Armie Hammer, de "O Cavaleiro Solitário", que interpreta corajosamente um intelectual homossexual. Talvez seja o seu melhor momento na profissão.

Duração: 2h02min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Sobrenatural: A Última Chave" (Insidious: The Last Key)



A franquia de terror chega ao seu quarto longa com "Sobrenatural: A Última Chave" (Insidious: The Last Key), direção de Adam Robitel, tendo como destaque a atriz Lin Shaye (Quem Vai Ficar Com Mary?) como a paranormal Elise Rainier. Este filme é uma prequel, ou seja, que precede os dois primeiros filmes da saga. O terceiro "A Origem" explica como ela conheceu seus parceiros de caça aos Specs (Leigh Whannel) e Tucker (Angus Sampson).

Em "Sobrenatural: A Última Chave" (Insidious: The Last Key), Elise recebe uma ligação de um homem que pede à ela que exorcize a sua casa, mal-assombrada. O problema é que o local, no Novo México, é o mesmo onde Elise passou a infância e a adolescência, tendo sido vítima de abuso por parte do seu pai.

O filme, aliás, tem ótimos momentos mostrando a primeira fase da vida de Elise, no começo da década de 1950. E são momentos de tensão e suspense. A protagonista volta a casa ao lado de seus parceiros, que são o ponto cômico do longa. E as cenas até empolgam, dão alguns sustos, mas pena que o roteiro deixe de aproveitar alguns ganchos que ocorrem durante a história, como o de dar mais ênfase ao serial killer que é descoberto. Simplesmente fica por isso mesmo...Mas a veterana Lin Shaye carrega o filme nas costas, mostrando ser a força motriz de uma história que poderia ser mais.]

Duração: 1h46min

Cotação: regular
Chico Izidro

Destino de uma Nação (Darkest Hour)




O britânico Winston Churchill apareceu recentemente em filme que leva o seu nome, sendo interpretado por Brian Cox, e também na série "The Crown", onde é vivido por John Lithgow. Mas quem arrasa no papel do ex-primeiro ministro inglês é Gary Oldman em "Destino de uma Nação" (Darkest hour).

A trama mostra Churchill assumindo como primeiro ministro num dos piores momentos, se não o pior, da história da Inglaterra, em 1940, quando Hitler dominava a Europa no segundo ano da Segunda Guerra Mundial. A França estava caindo nas mãos dos nazistas, e o veterano político, já com seus 65 anos, precisava tomar decisões fortes, e tendo ainda dentro do parlamento políticos favoráveis a um acordo de paz com a Alemanha. Mas astuto, ele sabia se aceitasse, logo a ilha seria invadida, pois Hitler nunca respeitaria o acordo. O filme ainda faz uma ponte com o recente "Dunkirk", de Christopher Nolan.

Afinal, uma das primeiras missões de Churchill (Oldman)como governante seria o de tentar retirar os mais de 400 mil soldados britânicos que estavam espremidos em Dunkirk, tentando fugir dos alemães. É um filme de gabinete, com cenas de interiores, com muita discussão política, artimanhas, estratégias.

A maquiagem, finalmente consegue ser impressionante, tranformando totalmente Gary Oldman em Churchill - recordem a precariedade de Leonardo DiCaprio como J. Edgar Hoover no filme de Clint Eastwood!!! Aliás, o ator tem uma interpretação de Oscar, roubando todas as cenas com um vigor excepcional. Mas também há interpretações fantásticas de Kristin Scott Thomas como a esposa do protagonista e Ben Mendelsohn como o Rei George VI.

Duração: 2h06min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"O Jovem Karl Marx" (Le Jeune Karl Marx)




Dirigido pelo haitiano Raoul Peck (Eu Não Sou Seu Negro), "O Jovem Karl Marx" (Le Jeune Karl Marx) foca o autor de O Manifesto Comunista no auge de seus 26 anos, vivido por August Diehl, tendo de se exilar com sua esposa, Jenny (Vicky Krieps), em Paris no ano de 1844, e conhecendo o também jovem Friedrich Engels (Stefan Konarske), que seria seu grande amigo e mecenas.

É mostrada a amizade dos dois, com Engels influenciando Marx, que quatro anos depois escreveria seu grande clássico O Manifesto Comunista, em 1848. Friedrich Engels era filho de um industrial da época e não aceitava aquela condição de o pai explorar os trabalhadores de suas fábricas. Mas é engraçado ver como Peck mostra a união de Engels e Marx, que mais parecem dois adolescentes irresponsáveis, se escondendo da polícia em Paris, bebeiras e conversas filosóficas. Será que Marx não era tão sisudo como a história o construiu?

A ambientação de época é fiel, com vestuários e ambientes, aliás estes ficam quase restritos a interiores, sejam em bares, apartamentos, fábricas - quase nada de locais abertos. O roteiro também acerta em mostrar como viviam os trabalhadores à época, sendo explorados (bem que muita coisa não mudou nestes mais de 150 anos).

Duração: 1h58min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Estrangeiro" (The Foreigner)



O astro chinês Jackie Chan mostra estar muito em forma aos 63 anos no político "O Estrangeiro" (The Foreigner), dirigido por Martin Campbell, que comandou dois longas da franquia de James Bond, "007 - Cassino Royale" e "007 Contra GoldenEye". O ator não poupa suas acrobacias e balé em suas lutas, mas apresenta um personagem sombrio e vingativo, Quan Ngoc Minh.

Chan é um comerciante viúvo que mora em Londres, ao lado da filha Fan (Katie Leung). A garota, no entanto, acaba morrendo em um atentado a bomba feito por terroristas irlandeses. Ao ser ignorado pelas autoridades, que não se empenham em buscar os criminosos, Quan Ngoc Minh tenta ajuda de um ex-militante da organização que praticou o atentado, uma espécie de IRA, o agora primeiro-ministro Liam Hennessy (Pierce Brosnan, que interpretou James Bond em quatro filmes).

Mas o político também não faz força nenhuma para ajudar o imigrante. Que então decide buscar justiça pelas próprias mãos - e aí surge o verdadeiro Quan Ngoc Minh, que antes de imigrar para a Inglaterra, era das forças especiais do exército, uma espécie de máquina de matar. E essa sua faceta renasce com muita força.

O filme de Martin Campbell mostra um equilíbrio muito forte entre cenas de ação e política. E Jackie Chan apresenta uma bela atuação, deixando de lado aquele seu lado mais engraçado, mostrando um personagem triste, mas determinado. Brosnan também não fica muito atrás, apresentando um político cínico e aproveitador. Até mesmo lembra um pouco o namorado de Sally Field em "Uma Babá Quase Perfeita", inimigo do ex-marido dela, Robin Williams.

Duração: 1h54min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, January 04, 2018

"120 Batimentos Por Minuto" (120 battements par minute)



"120 Batimentos Por Minuto" (120 battements par minute) é uma espécie de cinebiografia do diretor Robin Campillo, que no início dos anos 1990 fez parte do grupo ativista francês AIDS Coalition to Unleash Power (ACT UP), criada em 1987, na luta contra o vírus HIV. Eles lutaram lutaram pela democratização do acesso aos coquetéis que hoje asseguram a longevidade aos soropositivos, que à época, quando recebiam o diagnóstico era como uma sentença de morte. Campillo sobreviveu para contar a história destas pessoas.

A trama se passa durante o governo do socialista François Mitterrand, que durou de 1981 a 1995. E no início desta década, o Act Up está intensificando a batalha para que o governo francês tome uma atitude e esclareça melhor o público sobre a epidemia, que era vista como uma praga homossexual - em uma das cenas do filme, os militantes invadem uma escola para distribuir camisinhas, e uma estudante, em sua total ignorância, diz que não precisa, pois "não anda com veados". O filme também mostra o Act Up em ações de guerrilha, invadindo instalações médicas e farmacêuticas.

O drama é mostrado sob a ótica do jovem Nathan (Arnaud Valois), que não é soropositivo, mas homossexual, entra no Act Up pela ideologia, acabando por se encantar e apaixonar por Sean (Nahuel Pérez Biscayart), que está sofrendo os horrores da doença em seu corpo.

"120 Batimentos Por Minuto" é um filme interessante, educativo, mas peca pelo excesso de cenas desnecessárias, outras muito longas, e alguns personagens que simplesmente somem da história ao longo de suas mais de duas horas.

Duração: 2h23min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Jumanji: Bem-Vindo à Selva" (Jumanji: Welcome to the Jungle)



"Jumanji: Bem-Vindo à Selva" (Jumanji: Welcome to the Jungle), dirigido por Jake Kasdan é uma aventura que tem todos os ares da saudosa “Sessão da Tarde” dos anos 1980 e 1990, e um ótimo complemento do longa original, de 1995, e que tinha como protagonista o também saudoso Robin Williams. E se naquele filme, a galera entrava no jogo através de um tabuleiro, agora o toque original está por conta de um jurássico video-game.

A trama tem como foco quatro jovens diferentes, vivendo as agruras do ensino médio: o nerd Spencer (Alex Wolff), o atleta Fridge (Ser'Darius Blain), a patricinha Bethany (Madison Iseman) e a certinha e esquisita Martha (Morgan Turner). Um dia eles pegam uma punição de detenção e são obrigados a limpar uma sala antiga na escola. E lá encontram o video-game, e ao ligar o aparelho são jogados no cenário de selva do jogo e ocupando o corpo dos avatares que escolheram, interpretados por Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillan. E eles não vão apenas jogar Jumanji – os quatro terão que sobreviver à aventura, ou ficarão presos no jogo para sempre.

A sacada dos avatares é muito boa. A melhor sendo Bethany, que se acha a mais gostosa do pedaço, presa no corpo de Jack Black. Ou Spencer ganhando força e valentia na pele de Dwayne Johnson.
Jake Kasdan consegue entregar um filme na medida certa entre o humor e a ação, agradável de se ver comendo pipoca e tomando guaraná, assim como aquele comercial noventista.

Duração: 1h59min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Rei do Show" ( The Greatest Showman)



O sucesso de "La La Land" no ano passado reativou um pouco o interesse dos musicais em Hollywood, que já havia tentado voltar ao gênero com certa timidez com "Os Miseráveis", em 2013, e que já contava com o astro Hug Jackman, que agora retoma o estilo em "O Rei do Show" ( The Greatest Showman), direção de Michael Gracey.

O ator, mais conhecido como o Wolverine, interpreta P.T. Barnum (1810-1891), empresário criador do chamado circo dos horrores, que tinha mulher barbada, gigantes, acrobatas siameses. Mas tudo era farsa. E o sonho de Barnum era o de se vingar daqueles que o haviam humilhado quando criança, casando até com a filha do patrão de seu pai, Charity (Michelle Williams).

Ele ficou rico, mas para tentar ser recebido pela classe dominante nova-iorquina na metade do século XIX, o empresário investiu em musicais, trazendo da Europa a cantora Jenny Lind (vivida pela bela atriz Rebbeca Ferguson).

O filme é belo visualmente e com bonitas coreografias, e com os atores se sobressaindo no canto, como Michelle Williams e Zak Efron. Mas o que falta a ele? É que sendo um musical, deveria ter canções que marcassem, que fizessem a gente sair do cinema cantarolando. Mas não tem isso. Todas as músicas são muito similares, sem alma, um bate-estaca chato e repetitivo. Assim, "O Rei do Show", apesar de cativante, é algo sem alma.

Duração: 1h45min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Roda Gigante" (Wonder Wheel)



Sempre que Woody Allen vai lançar um filme, a genmte fica na expectativa de que surja um novo "Hannah e Suas Irmãs", "Manhatan" ou "Annie Hall". Mas esta época já passou, e apesar de o hoje octagenário cineasta manter a tradição de soltar um longa por ano, sua produção se mantém irregular, com alguns acertos e muitos erros. Por isso é um alento assistir ao seu novo trabalho, "Roda Gigante" (Wonder Wheel), que resgata o drama e conflitos presentes na obra do diretor nova-iorquino. Allen acerta na fotografia, na cenografia, que reconstitui Coney Island dos anos 1950.

Os personagens são, em sua maioria, perdedores, como a protagonista Ginny (Kate Winslet, espetacular), que é casada pela segunda vez com o operador do parque de diversões Humpty (James Belushi) e mãe de um pré-adolescente Richie (Jack Gore), que com sério problema comportamental, adora atear fogo em qualquer objetivo inanimado. Ginny é uma ex-atriz frustrada e trabalha em uma lanchonete como garçonete, tendo um caso com o guarda-vidas Mickey (Justin Timberlake). A vida de todos começa a mudar quando surge a filha de Humpty ,Carolina (Juno Temple), que havia se distanciado do pai há alguns anos por ter casado com um gangster. Ela volta para casa, pedindo socorro, pois é ameaçada de morte pelo ex-marido.

E a presença de Carolina vai mexer com Ginny e Mickey - este se apaixona por ela e Ginny sente a ameaça, passando a ter ataques de ciúmes.

Estamos longe de uma comédia, daquelas que tanto agradavam aos fãs de Woody Allen nos anos 1970 e 1980. É um drama forte, tenso, com ares de tragédia grega. E é um show de Kate Winslet, que imprime a sua personagem angústia, amargura, desespero. Enfim, muita intensidade.

Duração: 1h42min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Fala Sério, Mãe!"




Fala sério, que filmezinho mais medíocre é "Fala Sério, Mãe!", dirigido por Pedro Vasconcelos, e que traz duas das estrelas, para ver como estamos mal no país nos dias de hoje, Ingrid Guimarães e Larissa Manoela. Tem de ter muita paciência. E repito o que já havia escrito outra vez sobre a atriz global: "quem disse para ela que ela é engraçada?". Ela acreditou e fica repetindo o tipo "ad eternum".
Neste filme, acompanhamos a trajetória de Ângela Cristina (Guimarães) e a filha Maria de Lourdes (Larissa Manoela), desde o nascimento desta até o final da adolescência. Em sua primeira metade, a vida das duas é narrada pela mãe, e quando a garota faz 15 anos, a história ganha a sua ótica.

E estão lá a previsibilidade habitual: Ângela fala muito, põe sempre a carroça na frente dos bois, constrange a filha - a cena do ônibus é lamentável. Já a adolescente reclama da mãe, mas sempre a perdoa, sendo que Larissa carece de poder cênico - o momento em que conta ter perdido a virgindade é de uma falsidade do tamanho do universo. E para completar, tem ainda a indefectível cena do aeroporto, com Ingrid Guimarães se teletransportando tal como o Capitão Kirk...

Duração: 1h19min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, December 21, 2017

"Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso" (Suburbicon)



"Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso" (Suburbicon) tem direção de George Clooney, mas roteiro dos irmãos Joel e Ethan Coen. O que surge é uma daquelas comédias de humor negro, com muito de "Fargo". E um tom pesado, mostrando uma América racista, mas não a atual, de Donald Trump, mas sim a dos anos 1950, antes das lutas pelos Direitos Civis.

A história transcorre num condomínio fechado, o tal Suburbicon, onde todos viviam em harmonia, com estilo de vida de classe média, em um local com shopping, escolas. Mas as coisas começam a mudar quando se muda para o lugar uma família afroamericana, provocando a revolta os moradores, todos brancos e achando que a civilização americana iria acabar. Os argumentos dos moradores é puramente racista, sem lógica e que incomoda muito. E como.

Ao lado desta família que começa a sofrer o diabo com as provocações dos racistas, que os querem longe dali, mora uma outra família, cujo chefe é Gardner Lodge (Matt Damon). Com ele residem a esposa e a irmã dela, as duas interpretadas por Julianne Moore, e mais o filho Nicky (Noah Jupe, visto recentemente em Extraordinário). E uma noite a casa é invadida por dois assaltantes, que torturam a família, ocasionando a morte da esposa de Gardner.

Então começa a comédia de erros tão comum aos irmãos Coen. Enquanto uma linha do filme segue a rotina da família afroamericana ao lado, sofrendo com a discriminação, a outra mostra que existem mais culpados do que a dupla de assaltantes que invadiu a casa dos Lodge - e aí a história parte para questões de seguro de vida, de traições. A cara de paspalho de Matt Damon é algo, mas quem ganha o filme é o pequeno Noah Jupe, que já havia se destacado como o melhor amigo do protagonista de Extraordinário. E Julianne Moore em papel duplo é...sem palavras!!!

Duração: 1h44min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Corpo e Alma" (Teströl és lélekröl / On Body and Soul)



O belo filme "Corpo e Alma" (Teströl és lélekröl / On Body and Soul), dirigido pelo húngaro Ildikó Enyedi ganhou o Urso de ouro em Berlim e é o representante da Hungria no Oscar 2018. A obra trata de solidão, de inabilidade nas relações sociais, de pessoas desajustadas socialmente, não porque querem, mas porque são tímidas ao extremo.

A história transcorre em um abatedouro em uma cidadezinha húngara, onde o diretor financeiro Endre (Géza Morcsányi) tem uma nova colega, a sensível e calada Mária (Alexandra Borbély). Os dois vão se aproximando aos poucos, se encontrando na hora do almoço no refeitório da empresa. As conversas sã difíceis, interrompidas devido ao temor de ambos em tentar uma aproximação mais rígida. Até que em um dia tipo de pó do acasalamento (droga usada em gados) é roubado e vai parar numa festa, deixando os convivas alterados.

Uma psicóloga é contratada para tentar descobrir quem roubou e distribuiu o produto. E vai convocando os funcionários do matadouro, chegando em Endre e Mária, que descobrem terem os mesmos sonhos - eles sonham que são cervos em uma floresta. A partir daí e apesar do estranhamento, a dupla vai se aproximando. Mária é quieta, tímida em excesso, e nunca teve um relacionamento, demonstrando possuir até mesmo um tipo leve de autismo. Endre, por sua vez, tem o braço esquerdo defeituoso e já esgotou o número de relacionamentos em sua vida, não querendo mais se envolver, até cair de amores pela colega.

O filme é bonito, mas também angustiante - atente para uma cena de suicídio. E até mesmo vai incomodar os vegetarianos e veganos, ao mostrar o abate de gado, com direito a muito sangue escorrendo pelo chão.

Duração: 1h56min

Cotação: excelente
Chico Izidro

"Assim é a Vida" (Le Sens de la fête)



"Assim é a Vida" (Le Sens de la fête) é dirigido pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano (responsáveis por Intocáveis e Samba, ambos protagonizados pelo carismático Omar Sy). E é uma comédia leve, sem grandes arroubos dramáticos, mas trazendo à tona os mais diferentes tipos de personagens, do neurótico ao mau-caráter, do certinho ao angustiado.

A história gira em torno de Max (Jean-Pierre Bacri), um organizador de eventos que está preparando um grande casamento em um castelo nos arredores de Paris. Ele é organizado, detalhista, mas os seus comandados, que vão de garçons, cozinheiros, fotógrafo e músicos, são o seu oposto. E todos eles ganham espaço, com os diretores mostrando um por um e suas manias, fraquezas.
Enquanto vai organizando o que será o grande dia, Max ainda tem de lidar com a distância da amante Josiane (Suzanne Clément), que lhe dá um gelo devido a sua dificuldade em abandonar a esposa e ficar com ela. Já sua ajudante, Adèle (Eye Haidara) é uma desbocada e tira do sério o restante da equipe.

Para piorar a situação, o noivo Pierre (Benjamin Lavernhe) é uma pessoa sem a mínima humildade,. arrogante e detalhista. E a noiva é uma antiga paixão de um dos garçons, um ex-professor que teve um colapso nervoso e dono de uma forte depressão e que acha que pode recuperar a sua amada. E ainda tem o cantor da festa, James (Gilles Lellouche), que acha que canta, mas só enrola.

Claro que sendo uma comédia, as coisas vão dando errado numa sequência monstruosa. Porém todo o humor é mostrado de forma inteligente, através de diálogos e cenas sem exageros corporais. A risada acaba saindo fácil.

Duração: 1h56min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Ninguém Está Olhando" (Nadie Nos Mire)



"Ninguém Está Olhando" (Nadie Nos Mire) mostra como é difícil a vida de um imigrantes emn terras estrangeiras. Dirigido pa diretora argentina Julia Solomonoff, a história mostra a vida de Nico (Guillermo Pfnening, excelente), um ator que deixa Buenos Aires e um papel coadjuvante em uma novela para tentar a sorte em Nova Iorque. Além de uma vida nova, ele também quer distância de Martin (Rafael Ferro), o diretor da novela, com quem tinha um caso amoroso.

Mas em terras americanas, Nico passa a viver dificuldades. Sendo loiro, não corresponde ao estereótipo latino corrente, mas também não consegue nenhum papel de local devido ao forte sotaque espanhol. Enquanto não consegue atuar, Nico vive de bicos e também de babá do filho de uma amiga argentina.

A obra mostra com precisão como é viver em terras estrangeiras, mas tentando manter uma aparência normal para os amigos - Nico mente aos conterrâneos que está trabalhando em filmes e séries, mostrando uma falsa realização pessoal e profissional.

Duração: 1h41min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"As Aventuras de Tadeo 2 - O Segredo do Rei Midas" (Tadeo Jones 2: El secreto del Rey Midas)



A Pixar e a Dreamworks nos acostumaram com animações que beiram a perfeição. Então assistir um desenho como "As Aventuras de Tadeo 2 - O Segredo do Rei Midas" (Tadeo Jones 2: El secreto del Rey Midas) é como estivessemos regredindo um pouco no tempo. A obra espanhola beira a simplicidade e ainda carrega uma história bobinha, com mocinhos e vilões estereotipados, que talvez até agradem as crianças. Somente as crianças.

A trama gira em torno do pedreiro Tadeo, que sonha em ser arqueólogo. Apaixonado por Sara, ela sim arqueóloga nos moldes da Lara Croft, ele não consegue revelar seu amor por ela. Mas partirá numa missão para salvá-la, quando a garota é raptada por um milionário que pretende se apoderar do colar do rei Midas, que transformava tudo que tocava em ouro.

Ambientada, de início, em Los Angeles, nos Estados Unidos, a história acaba ultrapassando fronteiras e indo parar na Espanha e depois na Turquia. Mas apesar de toda esta movimentação, o filme é cansativo, e ainda traz personagens irritantes, como a múmia, histriônica.

Duração: 1h26min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, December 14, 2017

"Mulheres Divinas" (The Divine Order)




Representante da Suíça na disputa do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2018, "Mulheres Divinas" (The Divine Order), dirigido pela cineasta Petra Biondina Volpe, mostra a luta delas por direitos iguais aos homens. Em "As Sufragistas", de 2015, podemos ver a luta das inglesas pelo direito ao voto no início do Século XX. Então é absurdo verificar que quase setenta anos depois, as suíças ainda corriam atrás de igualdade.

Sim, "Mulheres Divinas" tem a trama ambientada na édaca de 1970, mais exatamente no ano de 1971, uma época de ebulição social no mundo - ainda se respirava as lutas e os ideais libertários dos anos 1960. Numa pequena aldeia no interior da Suíça, vemos a figura de Nora (Marie Leuenberger), mãe de três filhos, que tem de se preocupar ainda nas atividades domésticas diárias e cuidar do sogro, um homem reacionário. Nora nunca teve um orgasmo e o marido Hans (Maximilian Simonischek) acha ridícula a ideia de ela querer trabalhar fora. "Para quê? Os seus deveres são em casa, comigo", repete ele, que nunca deu prazer sexual a mulher.

Ao fazer uma viagem a Zurique, Nora entra em contato com um grupo de mulheres que luta pela igualdade feminina e exige o voto - as mulheres eram impedidas de votar, escolher suas representantes. E isso que a Suíça é um dos países mais evoluídos do mundo!!! Nora, então, forma um grupo político em sua cidade, e estas mulheres vão tentar acabar com séculos de costumes, tradições e hábitos que não deixavam ninguém do sexo feminino evoluir.

O filme discute o papel da mulher na sociedade, conseguindo fazer uma obra de conscientização e leveza, retratando e muito bem - inclusive com bela reconstituição de época - um período muito importante da história daquele país europeu.

Duração: 1h36min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Star Wars: Os Último Jedi" (Star Wars: The Last Jedi)



"Star Wars: Os Último Jedi" é a oitava parte da saga intergalática criada nos anos 1970 por George Lucas, e este filme é escrito e dirigido por Rian Johnson, trazendo velhos e novos personagens, como Luke Skywalker (Mark Hammil), a Princesa Leia (Carrie Fisher, morta em dezembro de 206), além do Mestre Yoda, Rey (Daisy Ridley), Finn (John Boyega) e Kylo Ren (Adam Driver).
A história começa logo após o término do longa anterior, "Star Wars: O Despertar da Força", onde Rey parte em busca de Luke Skywalker, que está desaparecido há mais de 30 anos. E ela tem um pedido de ajuda vindo diretamente da General Leia Organa. Porém Luke não quer mais lutar e é a favor do fim da Ordem dos Cavaleiros Jedi. Enquanto isso, a Resistência enfrenta um ataque pesado da Primeira Ordem, que, mais do que nunca, aparece em superioridade numérica, tecnológica e ofensiva.

Ou seja, "Star Wars: Os Último Jedi" foca em vários sentidos. Num em Rey tentando convencer Luke a voltar a lutar e querendo receber os ensinamentos dele, enquanto que na outrra parte vemos os rebeldes tentando escapar das garras do Império, que quer exterminar a rebelião.

No meio disso tudo, vemos o embate psíquico entre Rey e Kylo Ren, filho de Hans Solo e Leia, e que se voltou para o lado negro da Força - querendo ser um novo Darth Vader, mas não tendo o reconhecimento do Imperador Snoke. Quem ganha ainda forte participação é o ex-stormtrooper Finn, que tenta encontrar uma forma de evitar o aniquilamento dos rebeldes - sua participação é repleta de humor. Aliás, humor é o que não falta no filme. Que ganhou uma trama mais simples, sem grande enrolação e sem viagens de roteiro. Por isso, divertido e agradável, mesmo com suas mais de duas horas e meia.

Duração: 2h32min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

Thursday, December 07, 2017

"Verão 1993" (Estiu 1993)




"Verão 1993" (Estiu 1993), escrito e dirigido por Carla Simón é uma simples, quase naturalista, e apresenta ainda uma direção de crianças excepcional. A obra reproduz momento da infância da diretora, que ficou orfã dos pais muito cedo, e fala sobre luto e adaptação a uma nova vida, em um novo lugar, com novas pessoas.

A trama segue a pequena Frida (Laia Artigas), de seis anos, que perde os pais por causa de um vírus- o filme não esclarece qual seria, mas fica claro que é a Aids. A garotinha, passa então, a viver com seus tios e a pequena filha do casal, que passam a ser sua nova família. E esta adaptação não será nada fácil. Frida tem sérios problemas de comportamento, comum a sua idade, pois precisa criar novos laços afetivos.

Boa parte da história se passa no verão de 1993, daí o nome do filme, onde todos passam as férias na casa dos avós, no interior da Espanha. E onde Frida tenta entender o que ocorreu com seus pais. Uma conversa muito séria entre ela e a tia é um dos momentos fortes do filme.
A atuação de Laia Artigas é brilhante. A menina se supera, não se importando com a câmera que a segue constantemente. Sua presença em cena é tranquila e comovente. Fato que é um baita filme, que não precisa de efeitos especiais e de momentos clímax. Simples e bonito.

Duração: 1h34min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Com Amor, Van Gogh" (Loving Vincent)




O filme é o resultado de seis anos de trabalho, onde os diretores Dorota Kobiela e Hugh Welchman comandaram uma equipe com 100 pintores, que pintaram em estúdios poloneses, utilizando as mesmas técnicas do artista holandês, cada um dos 65 mil frames utilizados nesta obra-prima da animação chamada "Com Amor, Van Gogh" (Loving Vincent). Cada cena do filme depois teve o acréscimo de atores de verdade, que aqui eles parecem colocados em quadros de Van Gogh. Enfim, é uma verdadeira viagem ao mundo pósimpressionista.

A história é quase uma investigação policial e ocorre em 1891, um ano após a morte do pintor holandês. O protagonista é Armand Roulin (Douglas Booth), filho do carteiro Joseph Roulin (Chris O’Dowd), de quem Van Gogh se tornou um grande amigo ao se mudar para Arles, no sul da França. Roulin, usando como pretexto o pedido que seu pai lhe deu de entregar uma carta deixada por Van Gogh para o irmão Theo, após descobrir que este também morreu, ele passa a investigar a morte do pintor. E em cada conversa com estas testemunhas surge um flashback mostrando a trajetória de Van Gogh (Robert Gulaczyk) em seus últimos dias na França. Vítima de bullying, de descaso e de desprezo por muitos - ele nunca teve o reconhecimento de sua genialidade em vida, quando conseguiu vender apenas um quadro.

Seu temperamento, sua depressão, seu comportamento fora dos padrões o fez ser considerado louco, ainda mais depois que decepou a própria orelha. Sua morte foi classificada como suicídio com um tiro na barriga, mas aos poucos Roulin, em sua investigação vai passando a crer que Van Gogh teria sido assassinado. "Com Amor, Van Gogh" (Loving Vincent) é uma obra espetacular, extraordinária, que deve ser assistida, revista, saboreada. Um dos filmes do ano.

Duração: 1h38min

Cotação: excelente
Chico Izidro

"Lucky"




A velhice é um saco. A morte é inexorável. Em "Lucky", direção de John Carroll Lynch, todos os dias são iguais para o velho Lucky (Harry Dean Stanton, que morreu em setembro passado, aos 91 anos). Ele mora numa cidadezinha no meio do deserto e segue uma rotina muito monótona. Todos os dias ele acorda, faz exercícios de alongamento, toma um copo de leite, acende um cigarro, se veste e vai dar uma caminhada.

E nesta caminhada diária é que podemos conhecer um pouco deste homem de 90 anos, que é adorado pelos outros moradores. Lucky vai a um mercadinho de uma imigrante mexicana comprar leite, volta para casa onde tenta resolver palavras cruzadas - ele sempre liga para alguém pedindo dicas. À noite vai a um bar, onde se encontra com outros moradores idosos como ele e bebe um Blood Mary.

Além deste cotidiano repetitivo, mas nunca cansativo, podemos ver em cena atores de tempos passados, com seus momentos, como o médico vivido por Ed Begley Jr., numa cena hilária: "Você não tem nada, só está velho!", o diretor David Lynch, Tom Skerrit e James Darren (ele mesmo, do seriado clássico Túnel do Tempo!!!). Um filmaço. Simples, mas um filmaço.

Duração: 1h28min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Extraordinário" (Wonder)



Ao assistir "Extraordinário" (Wonder), dirigido por Stephen Chbosky, lembrei imediatamente de um clássico assistido na minha adolescência: "Marcas do Destino", de 1985, com Cher e Eric Stoltz, sobre um garoto que possue uma doença que faz seu crânio crescer acima do normal - ops, "O Homem-Elefante" tem a mesma pegada. Este "Extraordinário" é baseado em romance de R. J. Palacio, e também fala de aceitação, bullying e é uma mistura de drama com comédia.

Chbosky já havia dirigido outro filme cujo tema principal é um adolescente ser aceito pelos iguais, o ótimo "As Vantagens de Ser Invisível". Mas aqui se ele não apela para o choro fácil, também não facilita, mostrando uma história de comercial de margarina. Tudo é muito certinho, tudo é muito bonitinho, quase não existem conflitos.

O garoto Auggie (Jacob Tremblay, de O Quarto de Jack) nasceu com uma deformação facial e sempre estudou em casa, sob orientação da mãe, Isabel (Julia Roberts). Mas chegou o momento que é necessário que ele frequente uma escola regular. Mas como fazer isso sem se sentir rejeitado pelos outros estudantes, afinal ele tem várias cicatrizes na fase - tanto que passa boa parte do tempo usando um capacete de astronauta.

E na escola ele vai conhecer os dois lados: o da bondade e da aceitação de alguns coleguinhas, e a maldade e a inveja por parte de outros. Afinal, apesar de sua deformidade, Auggie é espirituoso, inteligente, e tem uma família que o ama e o protege além da conta. Neste momento o espectador já está passando mal por causa de tanto açúcar.

Jacob Tremblay é um ótimo ator mirim e consegue levar nas costas este filme, recheado de clichês - até mesmo as viagens de Auggie são mais do mesmo: o garoto se imagina um astronauta e por vezes recebe a companhia de Chewbacca, quando sente alguma dificuldade de entrar na escola.

Duração: 1h54min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Em Busca de Fellini" (In Search of Fellini)



Este filme é para amantes de cinema, e principalmente pelo italiano (aliás, após vê-lo dá vontade de rever todas as obras mostradas no decorrer da história). "Em Busca de Fellini" (In Search of Fellini), é dirigido pelo sul-africano Taron Lexton, com roteiro de Nancy Cartwright e Peter Kjenaas, baseada nas memórias exatamente de Cartwright – também presente no longa. O filme, passado em 1993, está repleto de personagens, locações e referências estéticas aos clássicos do diretor Federico Fellini, como “Noites de Cabíria”, “A Doce Vida” e “8 ½”.

"Em Busca de Fellini" (In Search of Fellini), além de ser uma homenagem à sétima arte, também é um longa de autoconhecimento, de desbravamento. Toda a trama é focada na jovem Lucy Lucy (Ksenia Solo), uma garota de 20 anos, da pequena cidade de Rimini, Ohio (EUA) - a cidade tem o mesmo nome do local de nascimento de Fellini. Desde sempre protegida pela mãe Claire (Maria Bello), ela nunca trabalhou, nunca beijou e muito menos teve um namorado. A vida das duas é assistir a intermináveis maratonas de filmes dos anos 1940 e 1950 em preto e branco. Mas a vida de Lucy começa a mudar quando Claire descobre estar com um câncer em estágio avançado. O que será de Lucy? A menina terá de se virar, arranjar um emprego para ter de se sustentar.

Então ao ir a uma entrevista de emprego, ela acaba deparando com um cinema fazendo uma mostra dos filmes de Fellini. E acaba se apaixonando pela obra do cineasta italiano. Incentivada pela tia (Mary Lynn Rajskub), resolve ir sozinha à Itália atrás de seu grande ídolo.E na viagem se entra direto no trabalho de Fellini, onde são mostrados locais históricos e até mesmo personagens que Lucy conhece são vividos por atores que trabalharam com o diretor, como Bruno Zanin, de “Amarcord”.

Ksenia Solo consegue passar com seu jeito cândido as emoções de uma pessoa sonhadora e ingênua, enquanto que Maria Bello constroe uma personagem protetora ao extremo, receosa de deixar sua cria se perder pelo mundo.

Duração: 1h44min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, November 30, 2017

"Assassinato no Expresso do Oriente" ( Murder on the Orient Express)



"Assassinato no Expresso do Oriente" ( Murder on the Orient Express) é um filme de Kenneth Branagh feito para Kenneth Branagh. O ator e diretor britânico pegou o clássico romance homônimo da escritora de romances policiais Agatha Christie, que marcou a minha infância e adolescência e o repaginou. A obra de suspense já havia sido filmada em 1974 por Sidney Lumet, que teve seis indicações ao Oscar, incluindo roteiro adaptado, e o prêmio para Ingrid Bergman de atriz coadjuvante.

E que convenhamos, é bem superior a esta nova produção. Seja pelo elenco estrelado, seja pela reprodução da história. E isto que Branagh se cercou de uma verdadeira constelação de astros, como Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Penélope Cruz, Daisy Ridley e Willem Dafoe. Mas Lumet tinha Albert Finney, Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Vanessa Redgrave, John Gielgud e Sean Connery. Melhor, né?


Na trama, que se passa dentro de um trem que sai de Istambul na Turquia para a França, mas passando por vários países, ocorre um assassinato de um dos personagens - ligado a um crime que ele cometeu no passado. Em determinado ponto da viagem, o trem é obrigado a dar uma parada por causa de uma avalanche.

E então o famoso detetive belga, que muita gente confunde como francês, Hercule Poirot (o próprio Branagh), desvendar o mistério. Afinal, qual dos passageiros cometeu o assasinato, que tem ligação com o passado direto de qualquer um deles e uma rica família que teve seu bebê sequestrado e morto – Agatha Christie usou como base o caso real do aviador norte-americano Charles Lindbergh, cujo filho ainda bebê foi sequestrado em 1932, aparecendo morto um tempo depois. A obra da escritora foi lançada em 1934.


"Assassinato no Expresso do Oriente" é um filme feito para o ego de Kenneth Branagh, mas apresenta uma bela reconstituição de época, e atuações boas, apesar de ele colocar o detetive para correr - Poirot era só cerebral - mas vá lá. O bom é que a obra põe novamente em evidência a obra de Agatha Christie, que faz a gente colocar os neurónios para funcionar.

Duração: 1h54min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Thelma"



O filme "Thelma", escrito e dirigido pelo norueguês Joachim Trier, é a indicação oficial da Noruega para o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. E é uma obra forte, que faz juz a candidatura. Forte e diferente, com elementos sobrenaturais, sexuais e religiosos. Trier já dirigiu os dramas "Oslo, 31 de Agosto" e "Mais Forte Que Bombas".

Desta vez ele mostra a vida da jovem Thelma interpretada por Eili Harboe, de "A Onda", garota que deixou a casa dos pais no interior da Noruega e foi estudar biologia na faculdade em Oslo. Mas ela não é normal. Pelo contrário. É uma menina tímida, criada em um regime religioso, opressivo e rígido.
E mesmo longe dos pais, se sente presa, pois mesmo à distância, eles ligam à toda hora, exigindo detalhes de sua vida - numa cena, a mãe agradece ao marido por poder ter acesso à agenda de Thelma através da internet!
Mas a vida de Thelma vai passar por processos de amadurecimento, quando ela conhece outra jovem, Anja (Kaya Wilkins), uma bela colega de classe, e que vai ser responsável direta por despertar a sexualidade reprimida da protagonista.
Só que além de se abrir para seu homossexualismo, Thelma também sofre com estranhas convulsões, que começam a atrapalhar seu dia a dia, e a trazer à tona estranhos acontecimentos sobrenaturais. E esta força interior da garota aterroriza até mesmo os seus pais, que exigem sua volta para casa - mesmo que isso vá influenciar suas vidas de uma forma nada agradável.
"Thelma" é um fascinante trabalho sobre os efeitos da opressão religiosa, que para muitas pessoas é um puro pesadelo.

Duração: 1h56min
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Jogos Mortais – Jigsaw" (Jigsaw)


"Jogos Mortais – Jigsaw" (Jigsaw), dirigido pela dupla Michael Spierig e Peter Spierig, traz de novo à ação o serial killer e justiceiro John Kramer (Tobin Bell) em sua oitava presença nas telas. Ainda fico me perguntando o que tem na cabeça o pessoal que inventa o máquinário de tortura utilizado por Jigsaw? Quanta imaginação para matar pessoas.


Bem, desta vez a história se situa dez anos após a morte de John Kramer, que todos sabem, morre vítima de câncer. E o filme se inicia com um criminoso chamando o detetive Halloran (Callum Keith Rennie) e dizendo que se iniciam novos jogos. Mas se Jigsaw está morto, quem está por trás dos assassinatos agora? Um imitador (copycat)?


As mortes são acompanhadas também por dois médicos legistas, Logan (Matt Pasmore) e Eleanor (Hannah Emily Anderson), que passam a investigar a nova série de crimes - as novas vítimas estão presas em uma velha fazenda, e tem de seguir as regras para não serem mortos - claro que isso não acontece, pois a cada etapa, são exigidos novos sacrifícios, que elas não estão prontas para assumir.

No final, "Jogos Mortais – Jigsaw" lembra muito os outros sete filmes da franquia. Muitos corpos dilacerados, a narrativa tem de buscar o recurso dos flash-backs para explicar o que se passou na tela. E claro, a trama fica aberta para as várias reviravoltas - uma hora o suspeito é um dos detetives, noutra o legista, noutra aparece o próprio Jigsaw, mas é uma pegadinha do roteiro. Mais do mesmo.

Duração: 1h32min

Cotação: regular
Chico Izidro