Thursday, October 19, 2017

"Bom Comportamento" (Good Times)



Esqueça Robert Pattinson de a saga vampiresca "Crepúsculo", onde o ator passava o tempo com cara de deprimido e entediado. Em "Bom Comportamento" (Good Times), direção dos irmãos Bennie e Joshua Safdie, Pattinson interpreta Constantine Nikas, um assaltante um pouco azarado e equivocado em suas ações, mas extremamente devotado ao irmão mais novo, Nick Nikas (Bennie Safdie), que é deficiente mental.

Sonhando com uma vida melhor e longe das agruras de Nova Iorque, Constantine organiza um assalto a um banco no Queens, onde leva o irmão. As coisas acabam dando erradas e Nick é preso. O que resta a Constantine é bolar um plano para tirar o irmão de trás das grades. Todo o evento da tentativa de salvamento ocorre durante apenas uma noite e vai envolvendo outras pessoas, que de uma forma ou outra, se mostram dispostas a ajudar o azarado ladrão.

As cenas são alucinantes, mostrando uma Nova Iorque noturna e underground, e traz uma trilha sonora forte e angustiante. Robert Pattinson apresenta uma das melhores atuações de sua vida, mostrando que aquele vampiro insosso de "Crepúsculo" faz parte do passado. O elenco também traz Jennifer Jason Leigh (Garota Solteira Procura...) como Corey, a namorada desajustada de Connie, Buddy Duress (Amor, Drogas e Nova York) no papel de Ray, um traficante, a iniciante Taliah Webster como a garota negra Crystal, sem muitas perspectivas jovem sem muitas perspectivas, cai na lábia de Constantine e Barkhad Abdi (Capitão Phillips), que trabalha como segurança num parque de diversões.

Duração: 1h41min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Tempestade: Planeta em Fúria" (Geostorm)



Mais uma vez o planeta está em risco de extinção. Então o cientista Jake Lawson (Gerard Butler) criou uma máquina capaz de controlar, através de satélites, o clima na Terra. Mas claro que algo vai dar errado, em "Tempestade: Planeta em Fúria" (Geostorm), direção de Dean Devlin, ex-parceiro do mestre em cinema-catástrofe Roland Emmerich.

A ação transcorre no futuro próximo, e tem aquelas pitadas familiares sentimentalóides, além de ser repleto de furos. A linha é a mesma de outros filmes como "O Dia Depois de Amanhã", "O Inferno de Dante", "Volcano – A Fúria", "Impacto Profundo" e "Armageddon". Então dê-lhe explosões, vendavais, nevascas, tsunamis. Mas desta vez nada de destruir Nova Iorque. As cidades visadas são Madri, Nova Delhi, Dubai e o Rio de Janeiro, que tem Copacabana atacada por uma onda de gelo - e a computação gráfica esqueceu do calçadão!!!

O tal cientista, Jake Lawson, tem uma relação complicada com o irmão Max (Jim Sturgess), que namora secretamente, Sara (Abbie Cornish), a chefe de segurança do presidente dos Estados Unidos, interpretado pelo canastrão Andy Garcia. O sistema criado por Lawson apresenta falhas por causa de uma sabotagem - aí fica a pergunta, o vilão tem o objetivo de fazer o mundo ser destruído para poder governá-lo!!!!

O elenco traz ainda Ed Harris como um conselheiro do governo, Alexandra Maria Lara no papel da astronauta líder da equipe do satélite e a carismática Zazie Beetz (a Domino de Deadpool 2) como uma especialista em infórmatica. É um filme ruim, repleto de clichês e que não tem nada de novo a dizer.

Duração: 1h49min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Além da Morte" (Flatliners)




Às vezes me pergunto qual a necessidade de se refazer um filme? Parece que o objetivo dos produtores é piorar a história. São poucas as refilmagens que se saíram melhor do que o original. Um dos casos é "It - A Coisa", e para por aí. Agora "Linha Mortal", de 1990, vira "Além da Morte" (Flatliners), direção de Niels Arden Oplev.

O primeiro filme levava vantagem até no elenco, que contava com por Kevin Bacon, Oliver Platt, William Baldwin e Julia Roberts e Kiefer Sutherland, que até faz uma ponta nesta nova versão, como um professor.

A trama gira em torno de alunos de medicina que liderados por Courtney (Ellen Page), resolvem testar os limites entre a vida e a morte. Para isso, eles são "mortos" por alguns minutos, para tentar descobrir o que pode haver do outro lado, e logo depois reanimados. Claro que a experiência tem um preço, pois aos poucos os jovens começam a ser perseguidos por fantasmas de seus passados. Além de uma masculinizada Ellen Page, o elenco conta ainda com Kiersey Clemons (Flashpoint), Diego Luna (Rogue One), Nina Dobrev e James Norton.

O roteiro de Ben Ripley repete quase passo a passo a história apresentada em 1990, com apenas algumas diferenças nos traumas dos personagens - e desta vez um deles morre! Mas é apenas mais do mesmo. Dispensável.

Duração: 1h49min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, October 12, 2017

"Entre Irmãs"




"Entre Irmãs", é o novo filme de Breno Silveira (2 Filhos de Francisco; Gonzaga: De Pai pra Filho), e é baseado no livro "A Costureira e o Cangaceiro", escrito por Frances de Pontes Peebles. A trama, passada em Pernambuco na década de 1930, tem um pouco de tudo: cangaço, hipocrisia, homossexualismo, política, feminismo e por aí vai.

No filme vemos a vida de duas irmãs, Emilia (Marjorie Estiano) e Luzia (Nanda Costa), criadas pela tia no sertão nordestino. Elas trabalham como costureiras e sonham com uma vida melhor. Emilia é romântica e quer sair do vilarejo, e Luzia sofre por ter um braço deformado devido a uma queda de uma árvore quando criança.

Já adultas, acabam sendo separadas - Luzia é raptada pelo líder cangaceiro Carcará (Júlio Machado) e Emilia acaba conhecendo um rapaz da capital, Degas (Rômulo Estrela) e casando com ele, passando a morar em Recife, e viver em meio a alta sociedade conservadora recifense. E tudo permanecerá difícil para elas. Luzia convive com a violência diária e a fuga dos cangaceiros pelo sertão, escapando da polícia. E sua irmã se vê envolta num casamento de mentira.

O dia a dia das duas é mostrado paralelamente, opção que funciona totalmente, dando um ritmo excepcional ao longa, que tem quase três horas de duração. Alguns momentos são marcantes - como quando o sogro de Emilia faz uma experiência genética nela, mostrando como o "homem branco" é superior ao "matuto" interiorano. Ou quando ela descobre o segredo de seu marido Degas. E até mesmo o seu envolvimento com a nova amiga, a bela Lindalva (Leticia Colin). Um filme, sem querer exagerar, digno de Oscar.

Duração: 2h45min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"A Morte Te Dá Parabéns" (Happy Death Day)



"A Morte Te Dá Parabéns" (Happy Death Day), direção de Christopher Landon, é uma mistura de "Feitiço do Tempo" com "Pânico", e nele acompanhamos a estudante Tree Gelbman (Jessica Rothe) presa em um mesmo dia, uma segunda-feira, em seu aniversário. E o mesmo dia se repete, sempre com o mesmo final, ela sendo assassinada por um cara vestindo uma máscara de um boneco.

A jovem tem, então, tentar entender o porque está sendo assassinada - e claro, tem aquele papo de ser uma pessoa melhor, que claro, não se concretiza com as mortes, que surgem de todas as maneiras possíveis e imagináveis, seja por faca, taco de beisebol, fogo.

Apesar de apresentar um tema batido, o da pessoa presa no tempo, adiciona elementos divertidos e personagens coadjuvantes interessantes: desde o interesse romântico de Tree, Carter Davis (Israel Broussard), ao professor com quem ela mantém um romance, Gregory (Charles Aitken), até as colegas de fraternidade, que parecem ter saído do filme "Meninas Malvadas" ou da série "Scream Queens". E Jessica Rothe desempenha seu papel de menina festeira e depois arrependida com louvor. E suas mortes....

Duração: 1h36min

Cotação: bom
Chico Izidro

"As Aventuras do Capitão Cueca" (Captain Underpants: The First Epic Movie)



"As Aventuras do Capitão Cueca" (Captain Underpants: The First Epic Movie), animação dirigida por David Soren é uma adaptação dos livros publicados por Dav Pilkey. É uma história divertida, que trata muito sobre a amizade e como é bom dar risadas.

No filme, temos dois amigos que se conheceram ainda no jardim de infância e tiveram uma conexão imediata. Agora George e Harold estão começando na escola e estão sempre juntos. E uma de suass diversões é criar histórias em quadrinhos - um faz o roteiro e o outro desenha. E uma de suas criações é o pateta Capitão Cueca. Além disso, vivem aprontando no colégio, ganhando a antipatia do diretor Sr. Krupp.

Um dia, eles percebem que Sr. Krupp se parece muito com o Capitão Cueca e o hipnotizam com um anel de plástico que veio numa de caixa de cereal. O diretor passa a achar que é o super-herói. Claro que para um herói tem de haver um vilão, e ele surge na figura de um novo professor, o senhor Fraldinha Suja, que é muito zoado por causa de seu nome. Assim, ele decide criar uma máquina para acabar com as risadas.

Então George e Harold vão precisar da ajuda real do Capitão Cueca para salvar o mundo de perder o humor. A história é bem escrita, e é feita mais para adolescentes do que para crianças, e claro as piadas com puns e arrotos estão lá - mas vai agradar também os adultos, que certamente vão lembrar de suas infâncias com o melhor amigo e as estripulias no colégio ou na vizinhança.

Duração: 1h29min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola"




Um filme que tenta pregar a anarquia, além de verborrágico ao extremo, com piadas infames e pró-bullying: "Como Se Tornar O Pior Aluno da Escola", dirigido por Fabrício Bittar, baseado em livro homônimo do apresentador de tevê e comediante Danilo Gentili. Os dois comentaram em entrevistas que o objetivo era referenciar filmes clássicos da Sessão da Tarde como "Karate Kid" (1984), "Porkys (1981)" e "Curtindo A Vida Adoidado (1985)", onde adolescentes enganavam os seus pais e professores para matarem aulas. Na trilha sonora, destaque para "We’re Not Gonna Take It", da banda Twisted Sisters.

Na história, o estudante Pedro (Daniel Pimentel) sofre a pressão para ser o melhor da escola, e isso provoca estresse. Um dia, ele encontra um diário escrito por um antigo estudante da escola (o próprio Danilo Gentili) mostrando como provocar o caos no colégio e ser aprovado colando. Ao lado do amigo Bernardo (Bruno Munhoz), Pedro vai ao encontro do Pior Aluno para pegar mais dicas de como entrar no mundo marginal.

E aparece uma profussão de piadas sobre gordos, pedofilia, masturbação, bebedeiras. Nada de novo, tudo tão batido que lá pelo décimo peido na tela, já encheu.
Além do que, os coadjuvantes não ajudam. Fábio Porchat aparece como um professor pedófilo, o ator mexicano Carlos Villagran, o Quico do Chaves, faz o papel do diretor da escola - e ele se vê atrapalhado pela dificuldade em falar português. Talvez quem se sai melhorzinho seja Moacir Franco no papel de zelador do colégio - dono de um linguajar sujo e pesado, mas tentando passar sabedoria.

Duração: 1h44min

Cotação: ruim
Chico Izidro

Thursday, October 05, 2017

"Chocante"



Comédia é para fazer rir. Então será que "Chocante", direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, pode ser considerado comédia? Não vemos aqui ninguém fazendo caretas, se jogando no chão, gritando histericamente. O que temos mais é filme que consegue transmitir muito sentimento nostálgico de uma época, no caso o final dos anos 1980 e começo da década de 1990, e o auge das boy bands. Quem não se lembra? Polegar, Dominó, todas imitando seus similares americanos, como Backstreet Boys, New Kids On The Block e Take That.

Pois "Chocante" conta a história fictícia da boy band Chocante, que viveu seu auge durante oito meses, e que acabou durante a transmissão de um programa de tevê. Aqui a brincadeira fica por conta do Domingo Legal, do Gugu. Vinte anos depois, quatro dos cinco integrantes se reúnem no velório de um deles. E ao encontrar uma fã histérica, que ainda vive como se estivesse naquela época, vivida por Débora Lamm, os rapazes, agora senhores gordinhos e fora de forma, decidem tentar reviver o sucesso.

Clay (Marcos Majela) trabalha como locutor num supermercado, Téo (Bruno Mazzeo) é cinegrafista de casamentos e batizados, Tim (Lúcio Maurto Filho) é um oftalmologista, e Toni (Bruno Garcia), dividido entre dirigir um uber ou um táxi. As poucas piadas presentes tiram sarro de eles tentando acertar os passos da dança que os consagraram há 20 anos. O ex-empresário deles, vivido por Tony Ramos, é chamado para tentar acertar alguns shows, e insiste na entrada de um integrante famoso nas redes sociais, Rod (Pedro Neschling). E isso mostra claramente o abismo de gerações. Todos têm seus momentos solo para brilhar um pouco, com destaque para Majela e Garcia.

Mas o que pesa mesmo é a memória sentimental daquele período, visto hoje como brega. A música do grupo fictício, com direito a vídeo-clipe, é um grude só: "choque, choque, choque, choque de amor!". Enfim, não dá para rir muito, mas dá para fazer uma viagem no tempo, mesmo para aqueles que, como eu, não curtiam essas boy bands.

Duração: 1h34min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Churchill"



O diretor australiano Jonathan Teplitzky decidiu destruir a história no drama de guerra "Churchill", interpretado por Brian Cox. O filme até tem bons momentos e uma reconstituição de época grandiosa. E apesar do título, a exemplo de muitas obras sobre personalidades históricas, não faz um resumão da vida da pessoa, mas foca em um período específico. Aqui, o longa mostra o Primeiro Ministro Inglês na II Guerra Mundial, mais especificamente às vésperas do Dia D, e transforma Churchill em um dirigente histérico e ultrapassado.

No filme, Churchill se opõe à invasão da Normandia, conhecida como o Dia D, em 6 de junho de 1944, receoso de que se repita o elevado número de mortes da Campanha de Galípoli, em 1915, na I Guerra, e que diz ter tentado evitar. O problema é que a oposição do dirigente britânico ao Dia D nunca ocorreu. Na realidade o primeiro-ministro questionou enviar as tropas para uma invasão à França nos anos de 1942 e 1943, por não estarem ainda bem preparadas, mas nunca em 1944, da qual foi um incentivador.

"Churchill" tem seus bons momentos, mas por vezes aparece muito exagerado. O personagem berra com seus comandados, e ainda tem um encontro com o então rei da Inglaterra, que parece implausível. Churchill está em seu escritório, quando sua esposa chega e o avisa que tem uma visita. Churchill sai da sala e encontra o rei nas escadarias....quem foi o roteirista desta cena?

Apesar de atropelar a história, o filme tem boas atuações. Brian Cox faz um Churchill convincente, e passa o tempo todo fumando charutos, bem como o personagem real. E Miranda Richardson vai bem também com a personagem mais forte do longa, Clementine Churchill, a esposa do primeiro ministro.

Duração: 1h45min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Blade Runner 2049"



Para começar, o clássico "Blade Runner", dirigido por Ridley Scott em 1982, não precisava de uma sequência. Aquele final onde o detetive Rick Deckard (Harrison Ford) fugia com sua namorada replicante Rachael (Sean Young) e que apesar do final em aberto, deixava tudo claro, era o suficiente. Mas o dinheiro chama e mais de três décvadas depois, decidiram fazer a parte 2, "Blade Runner 2049", dirigido por Denis Villeneuve.

A trama original se passava em 2019, e agora dá um pulo de 30 anos. Em 2049, a Tyrell Corporation, empresa responsável pela criação dos androides, foi comprada por Niander Wallace (Jared Leto), que fez novos e melhorados seres sintéticos para assumir trabalhos humanos degradantes nas colônias espaciais ou no que restou da Terra. E o planeta é mostrado de uma forma degradante, desolado, com pouco ou quase nenhum verde - tudo é cinza e sombrio.

O personagem principal agora é o novato policial K (Ryan Gosling), ele próprio um replicante da nova geração e que caça modelos antigos, considerados rebeldes. E em sua tarefa, ele acaba descobrindo um segredo que pode ameaçar ainda mais o planeta. Então tem de tentar encontrar Deckard, que como se sabe, deu um jeito de sumir há três décadas.

Villeneuve (de A Chegada) se utiliza bem dos efeitos visuais e de uma boa história de detetive. Mas convenhamos, "Blade Runner" não necessitava desta sequência, não fosse ter o mesmo nome, poderia ser um policial futurista qualquer. E não tem nenhum clima "noir", tão destacado na obra de Ridley Scott. "Blade Runner 2049" até se esforça para respeitar sua matriz, mas passa longe do pretendido.

Duração: 2h43min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Melhor Professor da Minha Vida" ( Les Grands Esprits)




No mesmo clima de "Ao Mestre com Carinho", que pega a educação como foco central e há um professor que se diferencia dos demais - e nesta linha dá para citar ainda "Sociedade dos Poetas Mortos", "Escritores da Liberdade" e "Escola do Rock", chega o francês "O Melhor Professor da Minha Vida" ( Les Grands Esprits), dirigido por Olivier Ayache-Vidal. O longa faz ainda uma reflexão sobre o ensino na França, e como ele é diferente para os bens-nascidos e os despossuídos (uma semelhança gritante com o Brasil).

Na trama, o professor François Foucault (Denis Podalydès, de “Chocolate”), que leciona no renomado colégio parisiense Henri IV, em Paris, acaba sendo transferido, quase sem querer, para a periferia parisiense, onde os alunos são na maioria negros e filhos de imigrantes, ao contrário dos elitizados estudantes do instituto anterior. No novo emprego, a situação é complicada, com os jovens nem um pouco interessados em estudar, pois acreditam eles, nada vai mudar em suas vidas.

François Foucault, sem saber o que fazer e desanimado, escuta da irmã: os alunos não querem aprender ou o professor é que não torna a matéria interessante? Assim, decide mudar seus métodos. O foco fica principalmente no jovem Seydou (vivido por Abdoulaye Diallo), garoto quase selvagem, e que desafia completamente Foucault.

O filme não consegue fugir muito dos clichês, mas apresenta momentos interessantes, como por exemplo uma visitação ao Palácio de Versalhes, que proporciona uma cena hilária. As atuações de Denis Podalydès e Abdoulaye Diallo também são muito boas - o personagem do professor beira o hilário, com sua cara de pateta. E "O Melhor Professor da Minha Vida" acerta, ainda, ao não apelar para o sentimentalismo. Agradável.

Duração: 1h46min
Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, September 28, 2017

“Kingsman: o Círculo Dourado” (Kingsman: The Golden Circle)



“Kingsman: o Círculo Dourado” (Kingsman: The Golden Circle), dirigido por Matthew Vaughn, infelizmente não tem o mesmo pique do divertido “Kingsman: Serviço Secreto”, lançado em 2015. Esta sequência até não é ruim, mas não consegue se aproximar do original. Apesar de trazer novamente boas cenas de ação, humor, mas desta vez as lutas soam um quanto tanto exageradas, com aquela câmera treme-treme, que tira a paciência de qualquer espectador.

Além do que a premissa é de uma bobagem monumental: os maconheiros do mundo são envenenados ao fumar seus baseados e morrerão se os Kingsman não conseguirem um antídoto, que está nas mãos da vila Poppy Adams, vivida com um certo exagero por Juliane Moore.

Mas a trama começa antes, quando os Kingsman sofrem um atentado e quase todos eles morrem, sobrando Eggsy (Taron Eggert) e Merlin (Mark Strong). Então eles têm de juntar forças ao Statesmen – sim, os norte-americanos e sua agência de espionagem equivalente à inglesa, para combater Poppy e seus asseclas.

As participações de Channing Tattum, Pedro Pascal, Halle Berry e inclusive Elton John são divertidas. Mas no entanto, tudo parece tão exagerado, que acaba enervando, ao invés de trazer um pouco de diversão.

Duração: 2h21min

Cotação: regular
Chico Izidro

“Pendular”



Dirigido por Júlia Murat e estrelado por Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, “Pendular” é um filme complexo, que fala sobre a impossibilidade de comunicação entre uma dançarina e um escultor, que dividem um grande balcão, onde ela ensaia passos de dança e ele prepara um novo projeto.

A obra é baseada na performance Rest Energy, de Marina Abramović, artista da Sérvia, onde ela e Ulay, seu companheiro à época, se equilibravam enquanto ela segurava um arco e ele uma flecha que apontava para seu coração. “Pendular” aqui pega pesado numa relação entre um casal que tem projetos completamente opostos – e isso fica bem evidente em um momento onde após fazerem amor, ele diz que quer ter um filho com ela. A dançarina dá um pulo, horrorizada, e renega qualquer intenção de isso vir a acontecer.

Essas diferenças são mostradas com clareza desde os primeiros instantes, quando o casal aparece demarcando, com uma fita, os espaços que vão dividir no galpão. A relação, em nenhum momento, parece harmoniosa. Os conflitos estão sempre ali, mostrados em uma forma fria.


Duração: 1h45min

Cotação: regular
Chico Izidro


“Como Nossos Pais”



“Como Nossos Pais”, dirigido por Laís Bodanzky (de Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo), acompanha a vida de Rosa (Maria Ribeiro, em atuação espetacular). Ela enfrenta problemas em seu casamento, e isto acaba interferindo em seu trabalho e para piorar, durante o almoço de final de semana da família, após uma discussão com sua mãe, interpretada por Clarisse Abujamra, Rosa fica sabendo que não é filha do homem que o criou. Ela é fruto de uma relação que sua mãe teve durante um congresso socialista em Cuba nos anos 1970.

O filme mostra o dia a dia de Rosa com as obrigações do casamento com Dado (Paulo Vilhena), um ambientalista que parece estar mais preocupado em salvar a amazônia do que seu patrimônio. Os dois têm discussões intensas e ela desconfia que o marido a traia com uma colega. Além disso, a filha maior, que está entrando na adolescência começa a mostrar as chatices da idade. E em meio a tudo isso, existe a questão mal resolvida com a mãe. Tudo isso para Rosa entrar numa de autoconhecimento – ao questionar a mãe o por que de ela ter pulado a cerca há 38 anos, escuta que todo mundo deveria fazer isso.

É quando surge Pedro (Felipe Rocha), o pai de um colega de sua filha, que mostra que sim, ela pode ter uma relação extraconjugal. E existe ainda a figura de Homero (Jorge Mautner), que é o homem que ela conhece a vida toda como pai. E ele é uma pessoa que vive em seu próprio mundo, distante da realidade. Enfim, Rosa quer ser diferente de seus pais, mas como diz a canção que dá nome ao filme, do compositor Belchior “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Rosa tentará ser diferente, mas conseguirá? Um excepcional retrato de nossos dias.


Duração: 1h42min


Cotação: ótimo
Chico Izidro

Thursday, September 21, 2017

"O Assassino: O Primeiro Alvo" (American Assassin)



"O Assassino – O Primeiro Alvo" (American Assassin), com direção de Michael Cuesta, é a adaptação da série de livros "Mitch Rapp" do autor Vince Flynn e tem como protagonista um agrente secreto nos moldes de Jack Reacher, John Wick e Jason Bourne.

No filme, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) é um universitário que está passando férias em Ibiza, na Espanha, ao lado da noiva. E ocorre um ataque terrorista liderado por Adnan Al-Mansur (Shahid Ahmed). Centenas de turistas foram mortos, incluindo a noiva de Mitch, Katrina (Charlotte Veja). Rapp decide então se vingar do terrorista. E o longa dá um salto de 18 meses, e neste período o jovem arquitetou um plano para se infiltrar na célula terrorista de Al-Mansur.

Então Rapp reaparece com uma série de habilidades que chamam a atenção da CIA, onde a diretora Irene Kennedy (Sanaa Lathan) encontra uma oportunidade de usá-lo como agente para o serviço de inteligência. Pra treiná-lo, ela convoca o veterano Stan Hurley (Michael Keaton). O objetivo é transformar Rapp num agente com capacidade para caçar potenciais inimigos dos Estados Unidos.

Claro que a relação entre Rapp e Hurley não será das mais fáceis, pois o jovem não obedece a ordens e é temperamental. Mesmo assim eles são obrigados a trabalhar juntos para investigar uma onda de ataques terroristas em território europeu. E descobrem que um ex-agente da CIA e antigo prodígio treinado por Hurley (interpretado por Taylor Kitsch), é Ghost, que pretende fazer um grande atentado na Europa.

Mas muita coisa parece forçada demais em "O Assassino – O Primeiro Alvo". Afinal, o protagonista apresenta uma série de habilidades inimagináveis para alguém que treinou por um período tão curto e está em sua primeira missão. E tem Michael Keaton careteiro como a muito não se via, com diálogos quase risíveis entre seu personagem e Ghost. O filme até apresenta coreografias bem ensaiadas, efeitos especiais muito bons - a cena em que uma bomba atômica explode é simplesmente sensacional. Porém tudo já foi visto em outras obras do gênero. Mas pode ser um bom entretenimento por quase duas horas.

Duração: 1h51min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Divórcio"



"Divórcio", dirigido por Pedro Amorim e escrito por Paulo Cursino (De Pernas Pro Ar e Até Que A Sorte Nos Separe), o filme, passado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, conta a história de Noeli (Camila Morgado), que é roubada do altar por Júlio (Murilo Benício), quando iria se casar com um homem de que não gostava, em casamento arranjado por seu pai. Nos anos seguintes, o casal leva uma vida humilde, mas ao produzirem um molho de tomate batizado de Juno, as iniciais de seus nomes, com um segredo especial, acaba enriquecendo.

Mas com o passar do tempo, e com duas filhas, a fortuna e a rotina acaba deixando o casal distante. E após uma festa em que eles se perdem numa estrada, surge a gota d'água para provocar a separação. E para brigar pelo patrimônio, cada um contrata o melhor advogado para si, o que acaba gerando um processo de divórcio repleto de problemas. E para quem não se lembra, os diversos atritos que tem entre eles lembra muito "A Guerra dos Roses", filme dirigido por Danny DeVito e protagonizado por Michael Douglas e Kathleen Turner em 1989. Ou seja, mais chupação, tá bom, reciclagem do foi feito bem lá atrás, e piorado.

As atuações de Benício e Morgado são prejudicadas pelo estereótipo caipira dos personagens, afinal estamos no interior paulista. Nada é é engraçado. Pelo contrário, tudo é tão irritante, como por exemplo as risadas desengonçadas dos protagonistas. E tudo piora ainda com a trilha sonora, repleta de música sertaneja - para quem gosta, e dê-lhe mau gosto, é uma alegria. E no final, "Divórcio" se perde totalmente, sendo previsível ao extremo.

Duração: 1h50min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Mãe!" (Mother!)




É difícil falar sobre “Mãe!”, a nova obra de Darren Aronofsky (diretor de Cisne Negro e O Vencedor), onde muita coisa não faz nenhum sentido na tela, e ficamos pensando o que o cineasta fumou ou cheirou para filmar aquilo que vemos e ouvimos. A trama tem como protagonista uma jovem mulher, interpretado por Jenniferr Lawrence, que mora em uma casa isolada ao lado do marido, um poeta que vive crise criativa, vivido por Javier Bardem. Nenhum dos personagens em cena têm nome.

A casa onde moram foi destruída, e a mulher reconstrói a habitação aos poucos. E o casal tem a rotina interrompida quando aparece um médico (Ed Harris) no local. Sua presença causa desconforto na garota. E as coisas vão piorar quando chegar a mulher do médico (Michelle Pfeiffer). E para trazer mais caos, aparecem os dois filhos desta dupla mais velha. Um crime é cometido. E o terror parece finalmente estar presente...mas é mais um terror psicológico. A partir deste momento, a velha casa transforma-se em um cenário para toda uma série de acontecimentos, com várias pessoas entrando e saindo da casa, deixando a garota cada vez mais desnorteada, enquanto que seu marido parece indiferente a tudo.
Temos até ares de "O Bebê de Rosemary", quando a garota surge grávida, e as pessoas continuam invadindo sua casa, seu espaço. E ela pedindo e não sendo ouvida, para que saiam e o marido continua lá, impassível.
As imagens que vemos na tela parecem não fazer sentido nenhum. Mas parabéns para Jennifer Lawrence, que está presente em praticamente todas as cenas do filme, mostrando todo o desespero, insegurança e fragilidade em suas feições e gestos. Já Javier Bardem passa boa parte do filme relegado ao papel de marido alienado e distante. Uma obra difícil. Para poucos. E que acompanhamos atentos, para saber onde tudo vai parar.

Duração: 2h02min
Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, September 14, 2017

"Feito na América" (American Made)



"Feito na América" (American Made), dirigido por Doug Liman, é o mais novo filme estrelado por Tom Cruise, que aqui vive a história baseada em fatos reais, e muita coisa parece inventada, de tão absurda, do piloto Barry Seal, que no final dos anos 1970 até meados dos anos 1980, trabalhou para a CIA, DEA, ao mesmo tempo que traficava drogas e armas para o Cartel de Meddelín. A obra acerta na reconstituição de época, tem uma trilha sonora forte, daquele período, e imagens reais de eventos ocorridos à época, mostrando figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, sua mulher Nancy, que dirigiu campanha contra as drogas e o assessor militar Oliver North, autor do famigerado plano Irã-Contras.

A trama lembra um pouco o filme "Profissão de Risco", dirigido por Jonathan Demme e protagonizado por Johnny Depp e lançado em 2001. Nele, acompanhamos a trajetória real de George Jung (Depp), que nos anos 1970, se torna o principal importador de cocaína do Cartel de Medellín para os Estados Unidos. Durante duas décadas, Jung foi um dos principais alvos do combate às drogas do governo americano e era quem fazia a conexão entre os EUA e a Colômbia.

E não é difícil imaginar que George Jung, que ficou preso por 20 anos, sendo libertado em 2014, e hoje está com 75 anos, não tenha cruzado com Barry Seal. Este trabalhava como piloto comercial, até ser cooptado pela CIA para fazer espionagem aérea na América Central - tirar fotos de atividades comunistas na Nicarágua e El Salvador. E logo fica conhecido na região e não demora para que receba uma proposta do Cartel de Medelin, composto por figuras como Pablo Escobar, Jorge Luis e Juan Davi, para traficar drogas da América do Sul para os EUA. A partir deste momento, Seal se torna uma espécie de "agente duplo" e depois triplo, pois acaba caindo nas mãos do DEA - o departamento antidrogas americano. E tudo isso fingindo para a mulher e os filhos que ele continua trabalhando como piloto comercial.

"Feito na América" é mais um exemplo daqueles filmes de ascenção e queda. Chega um momento em que Seal ganha tanto dinheiro que não consegue mais achar lugar para guardar a fortuna. E tem em seu encalço governo americano, traficantes...
O longa apresenta uma narrativa frenética, trazendo Tom Cruise numa pegada mais cômica. Enfim, é um filme que entretém, mesmo que em determinado momento caia no mais do mesmo, quando introduz a figura do cunhado porra-louca de Seal, interpretado por Caleb Landry Jones (de Corra!) e que será o começo da queda do piloto. Mas nada que atrapalhe a boa diversão.

Duração: 1h55min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"As Duas Irenes"



Com roteiro e direção de Fabio Meira, "As Duas Irenes" é um excelente filme nacional, falando sobre adolescência, amadurescimento, descobertas. A trama gira em torno de uma garota de 13 anos chamada Irene (Priscila Bittencourt) que, descobre possuir uma meia-irmã, fruto do relacionamento de seu pai , interpretado por Marco Ricca, com outra mulher, de mesma idade e com o mesmo nome, Irene (Isabela Torres).

Irene fica muito curiosa, e resolve se aproximar da meia-irmã, mas nunca revelando sua verdadeira identidade. Ela se apresenta como Madalena, e aos poucos as duas garotas vão ficando muito próximas e amigas. Irene frequenta a casa da outra Irene, mas o oposto nunca acontece. Além do mais, a primeira é mais tímida, e sofre um pouco com o descaso da mãe, que se preocupa mais com a filha mais velha e com a caçula. O mesmo não acontece na casa da meia-irmã, onde a mãe é mais presente, mais carinhosa, e não impondo muitas restrições a segunda Irene.

O filme se passa numa pequena cidade do interior, apresenta um ritmo lento, bem estudado. As cenas são longas e por vezes contemplativas. E às vezes lembra aqueles momentos dos anos 70, com o cinema pequeno, onde os adolescentes iam para namorar, longe dos olhos dos pais. "As Duas Irenes" é uma obra de grande qualidade, e tem um desfecho sensacional - lá pela metade ficamos pensando como será o confronto das meninas com o pai. Então a solução é um achado...

Duração: 1h29min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Amityville: O Despertar" (Amityville: The Awakening)



"Amityville: O Despertar" (Amityville: The Awakening), direção de Franck Khalfoun, é mais um longa retratando a famosa casa onde ocorreu um brutal assassinato de uma família relatado no livro "Terror em Amitivylle", escrito por Jay Anson e lançado em 1977. E este quinto filme da franquia mais uma vez não faz jus à obra literária, realmente assustadora. Este longa provoca, no máximo, bocejos.

A história gira em torno de uma família que se muda para a cidade de Amityville, e vai morar na casa onde 40 anos antes um jovem matou toda a sua família a tiros, alegando ter ouvido vozes que o fizeram cometer os crimes. A família é formada por uma mãe, vivida por uma irreconhecível Jennifer Jason-Leigh, duas filhas, uma adolescente e a outra pequena, e um filho que está em coma. Mas a mãe não avisou os filhos da maldição que ali está presente. A filha mais velha só vai se dar conta do que aconteceu quando os novos colegas do colégio começaram a praticar bullying com ela, e um dos jovens avisá-la do que ocorreu em seu lar.

A partir daí a adolescente passa a ver fantasmas pela casa, ouvir rangidos e ter pesadelos. O clichê tomando conta da história. Aliás, a atriz que interpretou a garota Belle (Bella Thorne) mostra o tempo todo uma incrível cara de tédio, não conseguindo criar um ambiente verdadeiramente tenso para o terror que se propõe o filme.
"Amityville: O Despertar" acaba se mostrando uma obra bastante fraca, não conseguindo criar nenhuma situação para assustar os espectadores - e você vai ver um filme de terror para levar susto, ou não? Ainda bem que é bem curtinho.

Duração: 1h25min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"A Gente"



Com larga experiência em serviços penitenciários, pois trabalhou por sete anos na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, vizinha a Curitiba, o diretor Aly Muritiba apresenta o bom documentário "A Gente". Na obra, ele , volta ao seu antigo trabalho, onde reencontra seus colegas, para acompanhar o cotidiano deles, que não é nada fácil.

Os agentes formam a Equipe Alfa, que tem 28 pessoas, de origens e formações diferentes, e que possuem a difícil missão de cuidar de mais de mil presos. O documentário foca, principalmente no agente Jefferson Walkiu, inspetor-chefe da instituição, que se divide entre o trabalho na prisão e como pastor em uma igreja batista. Podemos acompanhar o dia a dia destes profissionais, com todas as dificuldades e obstáculos - convenhamos, não é fácil lidar com presos perigosos e hostis.

E além disso, surgem os problemas, como falta de chaves para as algemas, ou apenas uma enfermeira para atender mil presidiários. Vemos as reuniões dos agentes, que ainda tem de driblar a burocracia e tentar evitar que os presos entrem em conflito. Uma realidade cruel.

Duração: 1h29min
Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, September 07, 2017

"It - A Coisa" (It)



Esta versão do clássico da literatura de Stephen King, lançado em 1986, é mais violento e assustador do que a versão feita para a TV em 1990 (assisti em uma fita VHS dupla), e que tinha Tim Curry (The Rocky Horror Picture Show) no papel do palhaço assassino Pennywise. Falo de "It - A Coisa" (It), dirigido por Andrés Muschietti. A trama fala sobre a entidade maligna que devora as crianças a cada 27 anos na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, na fronteira com o Canadá. Mas na realidade é uma metáfora para o sofrimento e o medo por que passam adolescentes nesta fase da vida.

Nesta nova versão nada dos personagens já adultos retornando à cidade para combater o palhaço. A história se passa em 1988 e foca em um grupo de jovens apelidados no colégio de "os perdedores" - seis meninos e uma menina que sofrem com o bullying dos colegas e também com a maldade dos adultos. O filme já começa violento, quando um garotinho brinca com seu barquinho de papel e é literalmente devorado por Pennywise (agora vivido por Bill Skarsgard, excelente), que se esconde em um bueiro.

Daí em diante outras crianças vão sumindo e os loosers começam a investigar e logo dão de cara com o sinistro palhaço. Mas fica claro que esta presença está apenas na mente deles. A verdade é que todos eles possuem traumas, como a menina que é abusada pelo pai, o rapaz negro que sofre com o racismo, o gordinho que tem vergonha de seu corpo, o garoto judeu que tem regras religiosas impostas em sua vida, ou o menino que sofre com a timidez por causa da gagueira e ainda o colega que tem uma mãe controladora e dominadora. Ou seja, combater Pennywise é confrontar os seus medos.

As referências aos anos 1980 estão todas lá, desde a trilha sonora, as roupas, muita lembrança de outro clássico escrito por Stephen King e que virou filmaço, "Conta Comigo" (Stand by Me). Até mesmo a série atual Strangers Things", que se passa naquela década recebe citações, inclusive com um de seus atores fazendo parte de "It", Finn Wolfhard. Ao seu lado os outros jovens atores: Jaeden Lieberher, Sophia Lillis, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Jeremy Ray Taylor e Chosen Jacobs, todos com uma química espantosa, fazendo deste longa um filmaço.

Ah, os personagens já adultos devem aparecer na segunda parte, e que vai se passar em 2016....

Duração: 2h15min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Uma Mulher Fantástica" (Una Mujer Fantástica)



Dirigido pelo chileno Sebastián Lelio, "Uma Mulher Fantástica" (Una Mujer Fantástica), é protagonizado pela atriz transgênero Daniela Vega, que dá um show de interpretação na pele de Marina Vidal, garçonete e aspirante a cantora, que sofre um baque em sua vida, e começa a verificar que sua condição sexual não é aceita tão facilmente na sociedade.

Marina tem um relacionamento estável há mais de um ano com um empresário de meia idade Orlando (Francisco Reyes). Só que ele sofre um ataque cardíaco e acaba morrendo. Daí em diante, ela que vivia de certa forma protegida pelo namorado, começa a ver as pessoas reagindo com desprezo e até mesmo violência em relação a ela. Aos poucos, Marina vai se deparando com atitudes que mostram de que a sociedade ainda não está preparada para entender a sua condição.

A todo momento, ouve xingamentos, sofre um sequestro e é agredida por tentar comparecer ao velório de Orlando. A família dele, que era distante, vai aparecendo, primeiro querendo o carro de volta, depois o apartamento que ela dividia com o namorado. A tudo, Marina tenta se manter digna, mas sofre por dentro.

O filme de Sebastián Lelio é instigante, denso, ressalta a intolerância de pessoas que não conseguem aceitar o diferente. A atuação de Daniela Vega é intensa, e ela está praticamente em todas as cenas. Absoluta.

Duração: 1h34min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Polícia Federal - A Lei é Para Todos"



"Polícia Federal A Lei é Para Todos", dirigido por Marcelo Antunez, é uma adaptação de um livro escrito por Carlos Graieb e Ana Maria Santos, e retrata um dos momentos mais críticos da política brasileira atual, a Operação Lava-Jato, que vem colocando muito político e empresário atrás das grades. A obra glorifica, sim, os policiais, transformados quase em super-heróis, dignos e incorruptíveis. O filme é de difícil análise, diria espinhosa, pois todos temos uma opinião, um lado.

O longa foca no trabalho de policiais e procuradores da Polícia Federal, começando com a prisão do doleiro Alberto Yussef (Roberto Birindelli), mas de forma totalmente cinematográfica, com perseguições, fugas por escadarias. Passa também por outra prisão, do diretor da Petrobras
Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), em outra romantização, com os policiais descobrindo contas secretas na Suíça em pedaços de papéis queimados em uma churrasqueira!!!! A trama mostra ainda quando a PF chega a residência do ex-presidente Lula, interpretado preguiçosamente e muito caricato por Ary Fontoura, que nem se deu ao trabalho de tentar reproduzir o sotaque do dirigente.

Os policiais mostrados no filme é uma mescla de vários profissionais que trabalharam nas investigações, mas há espaço para os personagens reais, que dão credibilidade ao filme, como o juiz Sérgio Moro (um dos ícones da lava-jato interpretado por Marcelo Serrado). A trama se encerra antecipando que uma parte dois está por vir.

Duração: 1h55min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Dupla Explosiva" (The Hitmans Bodyguard)




Mais uma vez a distribuidora preguiçosamente intitulou um filme com um título idiota e tantas vezes já visto. (The Hitmans Bodyguard) ou o Guarda-Costa do Assassino virou "Dupla Explosiva"!!!! Tenha santa paciência, diria o Robin para o Batman.

O longa é dirigido por Patrick Hughes II, e é um mar de clichês de filmes de ação, com perseguições de carros, tiroteios, e cabe aqui ressaltar como os vilões são ruim de mira, por que mesmo portando potentes metralhadoras, bazucas ou rifles, nunca conseguem acertar um tiro sequer nos mocinhos.

Os mocinhos no caso são o guarda-costa de personalidades políticas e empresariais Michael Bryce (Ryan Reynolds). Ele recebe a incubência de levar o assassino profissional Darius Kincaid (Samuel L. Jackson) para testemunhar contra o político bielo-russo Vladislav Dukhovich (Gary Oldman) na Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. Dukhovich é acusado de crimes contra seus cidadãos e claro, não quer que Kincaid, um ex-contratado seu, apareça. Por isso, põe um verdadeiro exército para tentar evitar sua ida à cidade holandesa.

Claro que Bryce e Kincaid são completos opostos e desde o primeiro momento não se entendem - clichê! Mas enquanto viajam pela Europa vão se conhecendo, e se odiando, depois se amando, depois se odiando mais um pouco. E perseguidos por um bando de incompetentes. As cenas de ação e tiroteios são bem filmadas, mas nada do que já não vimos anteriormente. O mais do mesmo.

Duração: 1h58min

Cotação: regular
Chico Izidro